“Nova” hepatite de origem desconhecida – a que deve estar atento?

29/04/2022

Nas últimas semanas têm surgido cada vez mais relatos de casos de uma "nova" hepatite, que afeta crianças e que tem aparecido num número crescente de países. Por se tratar de uma situação nova, existem ainda muitas perguntas por responder, mas importa esclarecer o que se sabe sobre este assunto até ao momento.

Aqui ficam os dados mais importantes:


A causa é desconhecida

A maior probabilidade é tratar-se de uma causa vírica, mas isso é algo que ainda não está esclarecido. Nenhum dos vírus que habitualmente causa hepatite em crianças foi identificado nestes casos. No entanto, nalguns casos isolou- se um vírus chamado adenovírus e numa minoria o SARS-COV2. De qualquer forma, ainda não está claro se se algum deles é a causa do quadro ou se se trata de uma mera coincidência.


Há casos descritos em crianças desde 1 mês de idade até aos 16 anos

No entanto, a maioria das crianças têm entre 3 e 5 anos.


A maior parte das crianças e adolescentes afetadas são saudáveis

Dos casos descritos, nenhum tinha fatores de risco para doença hepática.


Muitos casos apresentam vómitos, dor de barriga e diarreia até 2-3 semanas antes de surgirem os sinais de hepatite

Os sintomas "clássicos" de hepatite incluem as náuseas, vómitos, dor na parte superior direita da barriga, ictericia (cor amarela da pele e olhos), fezes brancas e urina escura (tipo vinho do Porto).


A maior parte dos casos não apresenta febre

Ao contrário de outras hepatites, nestes casos não é comum surgir febre, embora possa estar presente.


Já foram descritos mais de 169 casos em 12 países

Apesar de já haver bastantes casos na Europa, ainda não há nenhum caso descrito em Portugal.


Tal como referido acima, no nosso país ainda não se identificou nenhum caso desta nova hepatite, mas é importante que os pais estejam alerta para esta possível situação. Assim, sem querer criar nenhum tipo de alarmismo, os sinais a que deve estar atento são os seguintes:

  • Quadro de icterícia (ver acima), falta de apetite, náuseas, vómitos, fezes brancas e urina escura (principalmente se houver referência a vómitos e diarreia até 2-3 semanas antes)
  • Quadro de dor de barriga, náuseas, vómitos e diarreia com mais de 1 semana de evolução, associado a prostração importante (podem coexistir sintomas respiratórios e/ou febre)

Na presença de qualquer um destes quadros, o ideal é sempre procurar ajuda médica para esclarecer melhor a situação.