Papas caseiras ou papas comerciais… qual a melhor opção?

23/04/2022

Uma das áreas da nutrição na qual existem mais dúvidas do que certezas é a nutrição pediátrica. De facto, a alimentação dos mais novos é normalmente motivo de stress, por várias razões. As incertezas acerca do que o bebé pode comer, quando comer, quanto comer e como comer são extremamente frequentes nos pais, avós ou outros cuidadores. Se somarmos a isto tudo o facto de, durante a infância em particular, toda a gente dar palpites sobre a alimentação dos filhos dos outros (atenção que quando me refiro a esta situação não tem que ser necessariamente de forma negativa, pois muitas pessoas fazem-no porque querem ajudar), ao mesmo tempo que existem inúmeros "especialistas" que têm visões mais ou menos radicais sobre a alimentação (e sobre alguns alimentos supostamente demoníacos e outros milagrosos), então é fácil de perceber que a altura da refeição é muitas vezes um período no qual tudo parece acontecer ao contrário do que o previsto... Em vez de ser uma altura calma, de felicidade e relaxamento, torna-se num momento de muita agitação e stress.

Um dos alimentos dados aos bebés e crianças (e também alguns adultos!) que gera mais controvérsia são as papas (também conhecidas como farinhas). Não vou aqui discutir se a papa deve ou não deve ser o primeiro alimento a ser introduzido quando o bebé começa a diversificar a alimentação. Isso ficará para um post futuro... Este post vai ser dedicado ao tipo de papa que se deve dar aos bebés, pois nunca tanto como agora se ouviu falar em papas caseiras. A prova disso mesmo é que a internet está cheia de receitas de papinhas feitas com os mais variados ingredientes, desde os mais óbvios até aos mais inesperados... Este tema está frequentemente envolto em discussões e posições mais extremadas, mas confesso que não consigo ter essa visão tão intransigente sobre o mesmo, pois reconheço vantagens e desvantagens em ambos os tipos de papa (caseiras e comerciais).

Em relação às papas caseiras, há desde logo uma vantagem que me parece óbvia, que é o facto de ter uma composição sem aditivos (mais informações sobre os aditivos alimentares neste post). Independentemente de serem perigosos ou não, a maior parte dos aditivos são desnecessários para o funcionamento do nosso corpo, e por isso por precaução devem ser consumidos na menor quantidade possível, principalmente se se considerar que estou a falar em alimentos para bebés. Também de uma maneira geral as papas caseiras têm menos açúcar do que as papas comerciais, ainda que a este nível tenha sido feito um esforço por parte de algumas marcas no sentido de diminuir a quantidade de açúcar existente nas papas que comercializam. A terceira grande vantagem das papas caseiras é o facto de preservarem melhor o sabor e textura dos alimentos utilizados na sua confeção, o que permite à criança contactar com o sabor real dos mesmos.

Quanto às papas comerciais, também apresentam algumas vantagens importantes. Em primeiro lugar salientava aquela que me parece a mais importante de todas, que é o facto destas serem fortalecidas em vários micronutrientes (mais informações sobre os micronutrientes neste post), ou seja, vitaminas e minerais. Devido a isso, uma papa comercial pode ser sinónimo de uma refeição muito nutritiva. Este aspeto é particularmente importante em casos de crianças que não tenham uma alimentação adequada, ou porque os alimentos que lhes são fornecidos não são adequados, ou porque não os consomem na quantidade adequada. Convém não esquecer que não há alimentos perfeitos, e os cereais têm várias limitações nutricionais, pelo que o fortalecimento das papas pode ser de facto, uma ajuda importante para contornar essas limitações. Também do ponto de vista de segurança alimentar, as papas comerciais são mais seguras, pois são preparadas de acordo com normas muito rigorosas, que reduzem para quase zero o risco de contaminações. Por último, mas não menos importante, normalmente são papas cuja preparação é bem mais simples do que as papas caseiras.

As papas caseiras contêm menos aditivos e menos açúcar, ao mesmo tempo que preservam melhor o sabor e textura dos alimentos. Já as papas comerciais tendem a ser mais nutritivas, mais seguras e mais simples de preparar.


Resumindo, quer as papas caseiras, quer as papas comerciais, apresentam vantagens importantes, mas também algumas limitações que não podem ser desvalorizadas. A escolha de uma ou de outra depende de vários fatores relacionados não apenas com a criança, mas também com toda a dinâmica familiar. Eventualmente uma estratégia que poderá ser interessante é a de combinar, de forma alternada os dois tipos de papas, tentando assim juntar o melhor dos dois mundos...

Na altura de dar uma papa a um bebé as opiniões dividem-se, havendo quem ache que as papas caseiras são a melhor opção, mas também quem defenda as papas comerciais.