Regresso à escola: quais as infeções mais frequentes, o que fazer e como prevenir?

14/09/2021

Como o regresso às aulas, podem surgir as infeções virais. Saiba como reagir com os conselhos da médica Marta Chambel, especialista em Imunoalergologia. 

O início da escola, sobretudo nos mais pequenos que vão pela primeira vez para o infantário ou creche, é muitas vezes marcado por episódios de infeções. Saiba como reagir.

Na maioria das vezes as infeções são de origem viral, não são graves e têm duração inferior a uma semana.

O principal problema em muitas crianças e famílias é o facto das infeções serem muito frequentes, obrigando a que a criança falte à escola e a mãe/pai falte também ao trabalho.

No regresso à escola, as infeções virais mais frequentes em idade pediátrica são as seguintes:

  • Otite: dor no ouvido e febre. Nos bebés e crianças mais pequenas pode causar apenas irritabilidade e recusa em alimentar-se.
  • Rinofaringite (vulgo constipação): nariz entupido, pingo no nariz, olhos vermelhos. Pode existir febre. Os sintomas agravam nos primeiros 3 dias e depois começam a melhorar.
  • Amigdalite: dor de garganta e febre, que pode ser muito alta.
  • Laringite: dor de garganta e a famosa tosse de cão (tosse rouca).
  • Bronquiolite: tosse seca, dificuldade em respirar, respiração muito acelerada, pieira (chiadeira ou apitos na respiração).
  • Gastroenterite: vómitos e diarreia (sem sangue), recusa da criança em alimentar-se.

São características de infeções por vírus:

  • Doença com duração curta. A partir do terceiro/quarto dia começa a haver melhoria apenas com tratamento de sintomas (paracetamol, ibuprofeno).
  • Boa-disposição (relativa) entre os picos de febre. O bebé/criança vai brincando quando está sem febre.
  • Contexto epidemiológico: os familiares e/ou outras crianças da escola têm sintomas semelhantes.

O que fazer em caso de infeção viral?

  • Quando não existem sinais de gravidade, a criança deve aguardar em casa, não havendo necessidade de recorrer à urgência. Os sinais de gravidade a ter em consideração são prostração/sonolência quando não existe febre, pintas na pele, dificuldade em respirar, desidratação.
  • Baixar a febre com medicamentos antipiréticos (paracetamol, ibuprofeno).
  • Oferecer mais líquidos.

Atenção ao recurso ao antibiótico

Importa salientar que frequentemente existe a convicção de que o tratamento das infeções no bebé e criança têm obrigatoriamente que incluir antibiótico.

Os antibióticos são úteis em situação de infeção por bactérias. Estes medicamentos não têm qualquer efeito nas infeções por vírus, que são a causa mais frequente de infeções em idade pediátrica.

É difícil evitar que as infeções virais afetem os bebés e crianças que estão em escolas, sobretudo nas idades em que o uso de máscara não é obrigatório.

Como prevenir?

Existem algumas medidas que ajudam a diminuir o risco de exposição e de infeção por vírus.

Uma medida respiratória importante para prevenção das infeções virais passa pelo tratamento da rinite alérgica (episódios recorrentes de nariz entupido, espirros, comichão e "pingo" no nariz).

Esta medida é relevante porque o nariz funciona como filtro do meio ambiente que nos rodeia, pelo que se o mesmo não está bem, então não cumprirá a sua função de impedir o acesso dos vírus ao sistema respiratório.

Deste modo, o acompanhamento em consulta de alergologia para tratar adequadamente a doença alérgica irá ajudar a prevenir um grande número de episódios de infeções respiratórias, facilitando também a vida dos pais que não terão de faltar aos seus empregos com tanta frequência.

Um artigo da médica Marta Chambel, especialista em Imunoalergologia | Fonte: lifestyle.sapo.pt