Porque é que o Mentoring faz a diferença?

17/06/2021

Muito antes da pergunta pertinente que faz título deste artigo, é importante esclarecer o que é afinal o Mentoring, ou em português, Mentoria. Trata-se de uma relação entre duas pessoas, onde uma com menos experiência, e geralmente mais jovem (sendo que a idade aqui não é regra), é orientada a desenvolver a sua inteligência emocional de modo a descobrir (com mais clarividência) quais são as suas vocações, a dominar o autoconhecimento e com isso conseguir tomar melhores decisões quer no âmbito pessoal como no escolar/académico e na carreira.

Até aqui tudo bem, não é? Parece fácil porque como se costuma dizer, na escrita cabe tudo.  Importante é entender-se porque é que o Mentoring faz a diferença. Porque é que é tão importante, e até deveria tornar-se "obrigatório" em determinadas fases da vida de qualquer ser humano (criança, jovem ou adulto). Para que não confundamos a mentoria como algo que só os "maus alunos" ou "os perdidos" necessitam, vou dar-vos o exemplo real de um jovem, nosso Mentee, que está atualmente a concluir o ensino secundário para entrar na universidade e, tem média de 17 valores. À partida esta nota seria suficiente para acharmos que o seu caminho está solucionado. Não está. E por variadíssimas razões (que se juntam na mesma pessoa). Ser bom aluno não é sinónimo de saber do que é que se gosta! Aliás, neste caso, foi partilhada a inexistência de um propósito de vida. O que este jovem almeja é simplesmente agarrar um canudo universitário (para que todos se orgulhem dele) e ter um emprego bem remunerado (para poder pagar as contas). O empreendedorismo é algo em que também não se revê. Obviamente que nenhuma destas escolhas tem algo de errado, são até um caminho que (sem se pensar muito) é a escolha da grande maioria das pessoas. Ora, acontece que este caminho raramente nos leva a um sentimento de concretização (isto para não falar da felicidade, afastando os mais céticos desta leitura). Jamais uma escolha realizada em função de alguém (pai, mãe, marido, filho, etc.) vai ser a fórmula para um sentimento de realização pessoal, pelo menos um que dure muito tempo.

O Mentoring aprofunda, além de variadíssimos outros pontos, formas de identificar algumas limitações emocionais e o desenvolver de competências sociais (Soft Skills). Estas vão permitir ao jovem (talvez até pela primeira vez) que pense efetivamente por si. A escolha de um curso, onde se vão passar 3, 4 ou 5 anos da vida e, onde se quer catapultar o resto dela, é demasiado tempo para se tomar uma decisão incorreta ou indesejada.

Continuando no exemplo do nosso jovem Mentee, foi também importante realizar um exercício que lhe permitisse entender se os pontos fortes e as oportunidades de certas profissões (que estavam na sua lista de pouco interesse) faziam ligação aos seus próprios pontos fortes e capacidade de resposta. Por melhores notas que se tenha, se o cruzamento destes pontos não estiver alinhado, então as hipóteses desse caminho ser bem-sucedido já estão, logo à partida, comprometidas!

De igual forma, é importante perceber os pontos fracos ou até inexistência de conhecimento absoluto. Mantendo exemplos práticos, alunos que querem seguir Marketing ou Gestão, não podem equacionar deixar de fora conhecimentos como o Marketing Digital ou o tão conhecido Excel. Contudo, os da área de Economia/Gestão continuam a terminar o 12º ano sem saber uma fórmula que seja de Excel. Também este tipo de aconselhamento é realizado na Mentoria, pois os jovens, com a sua tenra experiência de vida, "não sabem que não sabem". Ou seja, não podem colocar questões sobre temas que nem eles próprios sabem que se vão levantar no seu futuro e por vezes exigir deles o dobro do que já deram no mundo académico. Boas reflexões!

Autora do artigo: Adriana Coutinho, mentora na Motto - Consulting, Mentoring, Reshaping Young Careers