Incentivo ao suicídio infantil no YouTube chega à “Porquinha Peppa” e “Fortnite”

28-02-2019

O desafio Momo incentiva os jovens a magoarem-se e está presente em séries ou jogos infantis bem conhecidos. Alerta foi dado pelas escolas.

O desafio Momo chegou no ano passado e foi rapidamente associado à Baleia Azul. Tal como o jogo que escondia uma série de desafios de auto-mutilição, e terminava com o suicídio dos participantes, o Momo desafiava os jovens a acabarem com a própria vida. Agora, parece que estes conteúdos estão a ser incluídos discretamente em vídeos infantis do YouTube, como a "Porquinha Peppa" e "Fortnite".

Depois de uma mãe ter alertado para a presença de incitações ao suicídio em conteúdos infantis no YouTube e YouTube Kids, as escolas de toda a Grã-Bretanha dizem que as crianças estão a ser alvo de imagens assustadoras e clipes da personagem perturbadora Momo. De acordo com o "Daily Mail", já foram contactadas por centenas de pais assustados. Os educadores dizem que os clipes aparecem no meio de vídeos aparentemente inocentes de desenhos animados, como a "Porquinha Peppa", ou sobre jogos de computador como o "Fortnite".

A Escola Primária de Haslingden, em Rossendale, disse em comunicado: "Estamos cada vez mais conscientes de vídeos altamente inapropriados que circulam online e que estão a ser vistos por crianças em toda a escola. Esses estão a aparecer em muitos sites e no YouTube (incluindo o YouTube Kids)."

Um dos vídeos começa de forma inocente com um episódio da "Porquinha Peppa", por exemplo, mas rapidamente se transforma numa versão alterada, com violência e linguagem ofensiva. Outro vídeo conta com a presença de Momo e mostra uma máscara branca distorcidaa incentivar as crianças a realizar tarefas perigosas, sem contar aos pais.

No comunicado da escola, pode ler-se ainda: "Como podem imaginar, isto é muito angustiante para as crianças verem. Encorajamos todos os pais a ficarem atentos quando o filho estiver a ver qualquer vídeo." Outros avisos foram emitidos pela Newbridge Junior School, em Portsmouth, e pela escola primária Offley Endowed, perto de Luton, Bedfordshire.

Momo consiste numa mulher assustadora com cabelos escuros, um sorriso diabólico e olhos salientes, que até agora atraia crianças através de uma conta WhatsApp - agora já está no YouTube. Através da plataforma de troca de mensagens, enviava para o telemóvel imagens e instruções sobre como a pessoa se poderia magoar, a si e aos outros. Momo ameaça que, se as crianças não fizerem o que ela diz, ela as "amaldiçoará".

Esta semana, uma mãe preocupada de Manchester, que pediu para permanecer anónima, disse que ficou "profundamente alarmada" quando a professora do filho de 7 anos lhe disse que a criança estava a fazer ameaças a outros alunos na escola.

Depois de discutir com o filho, acabou por descobrir que ele tinha sido influenciado pelo desafio Momo e revelou as coisas horríveis que a personagem lhe disse para fazer.

Num comunicado publicado na CNN, o YouTube agradeceu a atenção dada a este problema e garantiu que os vídeos reportados são analisados diariamente e são imediatamente removidos caso não estejam de acordo com as regras da plataforma.

Como é que funciona o Momo

O jogo consiste num número de telemóvel com o indicativo do Japão (+81) que aparentemente adiciona pessoas aleatoriamente e começa a interagir com elas.

Também há quem tenha entrado em contacto com Momo deliberadamente - uns descrevem que conseguiram estabelecer contactos, outros nunca chegaram a receber resposta.

Ao que parece, tudo começou com um utilizador do Facebook, que publicou um número de telefone a pedir ajuda. Várias pessoas adicionaram o contacto e começaram a falar com ele. De repente, mandar mensagens ao Momo tornou-se num desafio. O problema é que as respostas, pedidos e ameaças eram bem reais.

Este contacto age como uma espécie de entidade sobrenatural - na verdade, há quem garanta que o número está amaldiçoado. A fotografia de perfil ajuda a tornar toda a experiência ainda mais intensa, claro.

A menina assustadora é na verdade uma escultura que esteve em exposição no museu Vanilla Gallery, em Tóquio, em 2016. É da autoria de Keisuke Aisawa.

O (grave) problema dos imitadores do Momo

Neste momento existem vários perfis falsos de Momo, tornando-se difícil perceber qual é o original. Também existem vários relatos de youtubers que juram ter conseguido interagir com ele (ou ela), mas começa a ser complicado perceber se as histórias que contam são reais ou se esta é apenas uma forma de ganharem mais seguidores.

Seja como for, os perigos são reais. Estejam as crianças e jovens a entrar em contacto com o perfil original ou não, é indiferente. As autoridades e especialistas são unânimes: os perigos são verdadeiros, criminosos podem aproveitar-se para roubar dados dos utilizadores e brincadeiras de mau gosto podem terminar em tragédias.

Em Santa Catarina, no Brasil, um perfil do Momo ameaçou pelo menos cinco adolescentes de 12 e 13 anos, incitando-as a enviarem fotos nuas. Como estudam todas na mesma escola, é possível que se trate de um imitador. O caso está neste momento a ser investigado.

A imitação também pode explicar o porquê de Momo falar várias idiomas - pessoas de diversas partes do mundo garantiram ter entrado em contacto com a personagem, em línguas diferentes.