ESTUDO | Pais e Professores não se entendem acerca da principal Missão da Escola

06-11-2019

A Escola Amiga da Criança desafiou a Porto Business School da Universidade Católica do Porto e a Faculdade de Psicologia da Universidade Católica do Porto a desenvolver um estudo com o objetivo de analisar e conhecer a perceção de professores e pais sobre a Missão da Escola.

Este estudo contou com a participação de milhares de pais e professores que deram a sua opinião sobre aspetos tão importantes como:

  • Qual a Missão desejável da Escola?
  • Os alunos passam tempo a mais ou a menos na Escola?
  • A quem é atribuída a responsabilidade pelos resultados/desempenho dos alunos? Professores, pais ou aos próprios alunos?
  • Serão os TPC excessivos? Ou uma forma de cumprir um programa letivo demasiado extenso?
  • Shadow schooling: demasiadas explicações e atividades extracurriculares em excesso?

Os objetivos macro deste estudo foram:

  • Caraterizar a perceção dos pais e dos professores referente à Missão da Escola (como gostariam que fosse?): A perceção é semelhante entre pais e professores? O que é mais valorizado como Missão das Escolas em Portugal?
  • Caraterizar a perceção dos pais e dos professores relativamente à Missão da Escola (como é?): A perceção é semelhante entre pais e professores? Que dimensões são mais frequentemente observadas nas escolas nacionais, e em que dimensões há trabalho a fazer?

Principais conclusões:

As conclusões deste estudo revelam pontos de vista muito diferentes dos pais e dos professores sobre a Missão da Escola, nomeadamente em relação aos objetivos que entendem que ela tem. Enquanto os professores colocam em primeiro lugar a formação cívica (65%), os pais têm como prioridade a transmissão de conhecimento científico e tecnológico (64%). Ambos concordam que o aspeto menos relevante da escola é o desenvolvimento físico.

Quando a pergunta é se os alunos passam tempo a mais ou a menos na escola, as opiniões também divergem. Enquanto 71% dos professores considera que o tempo que os alunos passam na escola é excessivo, 62% dos pais considera que o tempo na escola é adequado. O tempo na escola dos alunos é, portanto, uma das divergências mais acentuadas, sendo que para os Professores a Escola deve formar os alunos, enquanto os Encarregados de Educação preferem uma escola que os prepare para os exames e para o mercado de trabalho.

No que diz respeito a quem é atribuída a responsabilidade pelo sucesso/desempenho dos alunos, 89% dos professores reconhecem que são os principais responsáveis pelo sucesso escolar dos estudantes portugueses. Por outro lado, 79% pais consideram que a responsabilidade é dos próprios alunos.

Em relação à quantidade de trabalhos de casa, 96% dos professores confirma dar trabalhos de casa "muitas vezes ou sempre" aos seus alunos. 59.7% dos professores concorda ou concorda totalmente que os TPC na sua escola são uma forma de apoio ao estudo. Os pais consideram-nos "na medida certa" e 86,6% diz acompanhar, sempre ou muitas vezes, os filhos nas tarefas da escola. Assim, tanto professores como pais afirmam que os TPC são frequente, sendo que é o seu objetivo constitui um tema controverso, com defensores do TPC como estratégia de consolidação e aprofundamento das aprendizagens, promoção da autonomia e da autorregulação do aluno, e outros defendendo que reforça as desigualdades sociais, sobrecarrega o tempo dos alunos e a rotina familiar, ameaçando o seu bem-estar e ainda podendo ser uma forma de cumprir o programa extenso.

Quando se fala de Shadow Schooling, ou recurso às explicações e às atividades extracurriculares importa salientar que os alunos do secundário têm 60% de probabilidade de ter explicações e uma grande probabilidade (70%) de ter atividades extracurriculares 1 vez por semana ou mais. 84.2% dos pais refere que os alunos frequentam atividades extracurriculares. O fenómeno Shadow Schooling parece ter vindo para ficar. A expansão das explicações está muitas vezes relacionada com a necessidade dos pais de colocarem os seus filhos numa corrida competitiva desde cedo onde se acredita, sem evidência, que as boas notas são a garantia de sucessos futuros.