Novo estudo indica que crianças que jogam mais de 1 hora por dia têm QI mais alto

03/09/2022

Um recente estudo realizado pela Universidade de Amesterdão, na Holanda, e pelo Instituto Karolinska, na Suécia, concluiu que crianças que passam mais de uma hora por dia a jogar jogos online, apresentam maior predisposição para ter um QI mais alto.

A relação entre o aumento do quoficiente de inteligência (QI) e o tempo de ecrã a jogar, não se aplica a outras atividades, como consultar redes sociais. O estudo, publicado na revista Nature, indica que crianças que passaram mais de uma hora por dia a jogar, durante dois anos, apresentaram QI mais alto em cerca de 2,5 pontos, em comparação com os restantes participantes.

A investigação distingue as crianças que passaram uma hora a jogar, das que passaram esse tempo a assistir a conteúdos de vídeo ou nas redes sociais. Nestes casos não se apresentaram diferenças significativas no índice de inteligência.

O estudo englobou a realização de testes a 5372 crianças, avaliadas pela primeira vez quando estas tinham entre 9 e 10 anos e a segunda entre os 11 e os 12 anos. Os especialistas avaliaram as capacidades cognitivas globais de forma a determinar o grau de inteligência. Os testes realizados englobaram provas a diversos domínios como a compreensão de leitura, vocabulário, atenção, memória, e processamento de imagens.

As crianças participantes no estudo também preencheram um inquérito onde lhes era questionado o tempo que gastavam normalmente durante um dia de semana, e também num dos dias de fim-de-semana, com as seguintes atividades: er filmes e séries, ver vídeos online, jogar videojogos, enviar mensagens, navegar nas redes sociais e realizar videochamadas.

Além de considerarem as respostas, os investigadores tiveram o cuidado de avaliar diferenças genéticas que poderiam afetar a inteligência, como escolaridade e rendimentos dos pais ou tutores.

Torkel Klingberg, professor de neurociências cognitivas do Departamento de Neurociência do Instituto Karolinska, afirmou que os "resultados corroboram a afirmação de que o tempo passado nos ecrãs geralmente não prejudica as competências cognitivas das crianças, e que jogar jogos eletrónicos, pelo contrário, pode contribuir para uma maior inteligência".